Já que fazia tempo que eu não postava aqui e que quando cheguei no meu quarto dei de cara com uma cadeira vermelha, resolvi compartilhar dessa descoberta. A cadeira é horrível! Eu entrei no quarto e no lugar da minha cadeira cinza, neutra, imparcial, estavá uma cadeira cor cereja! Meu quarto é meio amarelo e a cadeira parecia uma cereja no meio de um pudim de baunilha. E falando nisso! Estou sentando na cadeira e vou usá-lá de desculpa para dizer que me deixa sem inspiração. Mas antes, só uma pergunta. Que cor é sua cadeira??
Não sei pra quem, mas quero me desculpar pela ausência no blog. Na verdade acho que devo satisfações a mim. Ando tão preocupado com tudo. Ônibus, coração, família, faculdade, trabalho e os xérox que tenho que ler. Sinto-me um bicho com várias cabeças. Uma em cada canto, tirando suas conclusões e pensando separadamente no que acham prioridade.
Aí vai um desenho pra uma música que eu to ouvindo muito. Fiz um intervenção numa foto da estátua de Carlos Drummond de Andrade que fica em Copacabana. Espero que gostem.
Aos Poloneses do Brasil da banda Lixo Extraordinário.
Morre na areia da praia vermelha morreu aos pés de Chopin Aos poloneses do Brasil, manjuba e mandiopan Eu ergo um brinde no copo dos outros eu penso grande no canto dos olhos procurando as cem gramas mais baratas ao vencedor as batatas!
Agora sou eu no beco das garrafas atrás da viva alma que me ouça mudando o nome no beco da fome prensando um beck Agora sou eu querendo cama em Copacabana tirando onda em Volta Redonda levando tapa nos Arcos da Lapa pegando leve Agora sou eu sem a menor piedade de mim
Morreu na areia da praia vermelha Em pé, coçando o queixo Chopin Aos poloneses do Brasil, manjuba e mandiopan Eu ergo um brinde no copo dos outros eu penso grande no canto dos olhos procurando as cem gramas mais baratas pra bandeja ficar mais pesada ao vencedor as batatas!
Agora sou eu no beco das garrafas atrás da viva alma que me ouça mudando o nome no beco da fome prensando um beck Agora sou eu querendo cama em Copacabana tirando onda em Volta Redonda levando tapa nos Arcos da Lapa pegando leve Agora sou eu sem a menor piedade de mim pro inferno as boas intenções tupi or not tupi!
E essa aqui é uma versão acústica da música, que também é legal.
Hoje vou compartilhar um texto fanstástico, baseado na música Noite dos Mascarados de Chico Buarque. Desde da vez que li fiquei encantado, tanto com a música que escutei uns dias antes de ler. O texto é lindo e foi escrito por uma grande amiga minha, Paula Clapp.Vocês vão gostar.
" - Eu sou seresteiro, poeta e cantor - O meu tempo inteiro, só zombo do amor - Eu tenho um pandeiro - Só quero um violão - Eu nado em dinheiro - Não tenho um tostão... - Fui porta-estandarte, não sei mais dançar - Eu, modéstia à parte, nasci prá sambar"
Chico Buarque
E assim foi a noite inteira uma eterna apresentação. Dentre os tantos esbarrões que atrapalhavam os beijos e os confetes que grudavam nas costas tão bonitas daquela moça, Ele podia jurar que se não fosse carnaval se casaria com ela, mas pra evitar o que sempre temeu achou melhor nem perguntar seu nome, só continuar dançando e respondendo suas perguntas. Agora, ela ... se espantou com a cantoria tão antiga para um rapaz tão novo. Se encantou com mãos tão bonitas e dança a toda hora. Me deixa ir, pedia. Os dois queriam pular entre aquela multidão fantasiada, se entrelaçar pelas serpentinas, sentir o gosto das drogas que ali se serve discretamente. E ao mesmo tempo queriam se encontrar a cada três passos. " Vou ali ", " Fico aqui", Corrida para o banheiro. Ele realmente voltou e ela esperou. Não que no caminho não tenha promovido outras mulheres a suas atuais amantes, nem que ela na dor da espera não tenha se consolado com outros. Foi como o tal casamento evitado. Amor bandido de carnaval. Amor bandido de todos os dias. Do cotidiano mesmo, feito em uma noite, pulo a pulo, sem perder nem um sorriso e evitando as lágrimas. Lágrimas só as que ele pintou, faziam parte de uma metade do seu palhaço. Um palhaço e uma boneca. Exatamente o que eram por fora e por dentro. Para que lavar o rosto? Para que tirar aquela mascara tão bonita que pintaram no plano exato de procurar seus pares. Assim foi até o salão ficar vazio e abrigar apenas os recém casados daquela noite, os amantes fugidos e alguns solitos que se afogaram na bebida.
Paula Clapp
" Mas é carnaval, não me diga mais quem é você Amanhã tudo volta ao normal ... "
Chico Buarque
Fica um vídeo com vocês de Chico Buarque, Nara Leão e MPB 4 cantando Noite dos mascarados.
Ontem foi dia de improviso, de última hora. Dia de “deixa que eu pago”, dia de anotar pedido de música em papelzinho. Que do papel iam direto para as cordas da voz e da guitarra de uma mulher maravilhosa. Negra, brasileira. Que retribuía com sorrisos as vozes que lhe acompanhavam. Ontem foi dia de dançar com quem não se conhecia. Dia de dançar com a Karin e com a Sammia. Improvisando passos, letras e rodopios. Sem economizar o sorriso. Foi dia de não saber como voltar pra casa, dia de reencontro, de boa música, de novos amigos e também dia de “eu te levo pra casa”.
Bom, Como me tornei estúpido de Martin Page foi o último livro que li. Recomendado pela minha querida Sammia, e agora recomendo para vocês.
O protagonista do romance é Antoine, um depressivo intelectual que não consegue conviver com sua inteligência e manipulação da sociedade. Depois da tentativa hilária de alcoolismo e suicídio, Antoine decide que só a estupidez irá libertá-lo e integrá-lo a sociedade.
Presenteio os interessados com um trecho do livro:
"POR CAUSA DE UMA SENSIBILIDADE fisiológica extrema, Antoine não pudera tornar-se alcoólatra. Ele tomou como alternativa a resolução de se suicidar. Ser alcoólatra tinha sido sua derradeira ambição de integração social, e matar-se era o derradeiro meio que ele via de participar do mundo. Personagens que ele admirava tinham tido a coragem de escolher o momento da sua morte: Hemingway, a sua querida Virginia Woolf, o seu querido Sêneca, Debord, Catão de Utica, Sylvia Plath, Demóstenes, Cleópatra, Lafargue... A vida não era mais que uma infinita tortura. Ele não sentia prazer em ver o dia raiar, todos os seus instantes eram ácidos e estragavam o gosto do que teria podido ser agradável. Como ele nunca tivera verdadeiramente a impressão de viver, não tinha medo da morte. E ele até estaca feliz por encontrar na morte a única prova intangível de que ele estivera na vida. A incrível má qualidade de comida que lhe era servida quando estava no hospital acabou por convencê-lo encerrar seus dias. Antoine tinha dado entrada na emergência do hospital de La Pitié-Salpêtrière , apesar do documento plastificado na sua carteira que indicava que ele doava os seus órgãos em caso de morte cerebral e que ele preferia agonizar na calçada a ser cuidado em La Pitié..."
ilustração da capa do original francês Comment je suis denevu stupide